Manual para o
paciente com lúpus
Entender a doença, participar do tratamento,
conhecer seus direitos e saber onde buscar ajuda.
Entender a doença, participar do tratamento,
conhecer seus direitos e saber onde buscar ajuda.
Informação para orientar, cuidado para acolher e esperança para seguir.
Dra. Paula Cristina Montina
Médica Reumatologista · CRM-DF 26.523 · RQE 21.843
Atuação nos serviços público e privado do Distrito Federal, incluindo os ambulatórios de lúpus do Instituto Hospital de Base do Distrito Federal (IHBDF).
Colaboração
Ana Paula Monteiro Gomides Reis · Carlos Eduardo Lins · Jamille Nascimento Carneiro · Licia Mota · Raianni Rúbia Pacheco Silva · Regina Alice Fontes von Kirchenheim · Tainá Cândida de Almeida Gontijo Carneiro
Fortunato Estúdio
Sociedade de Reumatologia de Brasília (SRB) · ANPLúpus – Associação Nacional das Pessoas com Lúpus de Integração Social e Desenvolvimento Humano

© 2026 Paula Cristina Montina
1ª edição · Brasília, 2026.
Este material tem finalidade educativa e não substitui a consulta, o diagnóstico ou a orientação individual do seu médico. As informações sobre serviços, endereços, telefones e fluxos de atendimento do Distrito Federal foram verificadas na data de publicação e podem sofrer alterações.
O conteúdo desta cartilha pode ser reproduzido, sem fins comerciais, desde que citada a fonte.
Meu nome é Paula Cristina Montina, sou médica reumatologista e atuo nos serviços público e privado do Distrito Federal.
A ideia desta cartilha nasceu durante minha atuação nos ambulatórios de lúpus do Instituto Hospital de Base do Distrito Federal (IHBDF). No contato diário com os pacientes, suas famílias e suas histórias, percebi que muitas das dificuldades enfrentadas ao longo do tratamento não estavam relacionadas apenas à doença, mas também à falta de acesso a informações claras e organizadas sobre o lúpus, os medicamentos, os serviços de saúde, os direitos e os recursos disponíveis no Distrito Federal.
Foi a partir dessa realidade que surgiu o desejo de reunir, em um único material, informações que pudessem acompanhar o paciente para além da consulta médica.
Esta cartilha nasceu com o propósito de transformar informação em cuidado. Quero que cada pessoa com lúpus possa compreender melhor sua doença, participar das decisões sobre o próprio tratamento, conhecer seus direitos e, principalmente, saber onde e como buscar ajuda quando precisar.
Dedico este trabalho, com profundo carinho, respeito e gratidão, ao Dr. Carlos Lins, reumatologista do IHBDF, que dedicou grande parte de sua trajetória profissional ao cuidado de pessoas com lúpus e à formação de gerações de reumatologistas que hoje atuam no Distrito Federal e em diferentes regiões do Brasil.
E, especialmente, dedico estas páginas aos nossos pacientes.
A cada pessoa que recebeu o diagnóstico de lúpus e precisou aprender a conviver com dúvidas, medos, consultas, exames e tratamentos, desejo que esta cartilha seja também uma forma de acolhimento. Que aqui você encontre respostas, caminhos e a segurança de saber que não precisa enfrentar todas as etapas sozinho.
O lúpus faz parte da sua história, mas não define quem você é. Com informação, acompanhamento adequado e parceria entre paciente, família e equipe de saúde, é possível viver com mais segurança, autonomia e qualidade de vida.
Que nunca faltem informação para orientar, cuidado para acolher e esperança para seguir.
O lúpus eritematoso sistêmico (LES), conhecido simplesmente como lúpus, é uma doença autoimune crônica.
Ser autoimune significa que o sistema de defesa do corpo (sistema imunológico), que normalmente nos protege contra infecções, passa a atacar por engano tecidos e órgãos saudáveis, causando inflamação.
O lúpus pode afetar diferentes partes do corpo, como pele, articulações, rins, sangue, coração, pulmões e sistema nervoso.
É importante saber que o lúpus pode se manifestar de formas muito diferentes de uma pessoa para outra. Algumas pessoas apresentam uma doença mais leve, enquanto uma minoria pode desenvolver formas mais graves, com comprometimento de órgãos importantes.
O lúpus tem tratamento e pode ser controlado. Hoje, contamos com diferentes opções de tratamento que ajudam a controlar a doença, prevenir novas crises e proteger os órgãos. Com acompanhamento e o tratamento adequado para cada pessoa, a maioria dos pacientes pode ter boa qualidade de vida e seguir uma vida ativa e saudável.
O lúpus pode acontecer com qualquer pessoa, mas é muito mais comum em mulheres, principalmente entre a adolescência e os 40 anos.
A cada 10 pessoas com lúpus, aproximadamente 9 são mulheres. Homens também podem desenvolver a doença e precisam do mesmo cuidado e acompanhamento.
O lúpus também é mais frequente em pessoas negras, indígenas e asiáticas. Nesses grupos, a doença pode surgir mais cedo e, em alguns casos, apresentar maior risco de comprometimento dos rins.
Não existe uma causa única. O lúpus acontece pela combinação de diferentes fatores:
O lúpus não é contagioso. Você não pega lúpus de outra pessoa e não transmite a doença para familiares ou amigos.
Ter alguém na família com lúpus ou outra doença autoimune também não significa que você necessariamente desenvolverá a doença. A genética é apenas uma das partes envolvidas.
O lúpus pode se manifestar de maneiras diferentes em cada pessoa. Algumas apresentam sintomas leves, enquanto outras podem ter comprometimento de órgãos como rins, pulmões, coração ou sistema nervoso.
Os sintomas também podem aparecer e desaparecer ao longo do tempo. Os períodos em que a doença fica mais ativa são chamados de crises ou períodos de atividade do lúpus.
Alguns sintomas podem surgir logo no início da doença:
Esses sintomas também podem ocorrer em muitas outras doenças. Por isso, nenhum deles isoladamente confirma o diagnóstico de lúpus.
A pele é frequentemente afetada pelo lúpus. Podem ocorrer:
Muitas pessoas com lúpus apresentam fotossensibilidade, ou seja, a exposição à radiação solar pode provocar lesões na pele e contribuir para a atividade da doença.
Dor nas articulações é uma das manifestações mais comuns do lúpus.
Pode haver dor, rigidez ou inchaço, principalmente nas mãos, punhos e joelhos. Dores musculares também podem ocorrer.
O lúpus pode causar inflamação dos rins, chamada nefrite lúpica.
Um dos principais cuidados é que o comprometimento renal pode começar sem causar dor ou outros sintomas evidentes. Quando presentes, alguns sinais são:
Por isso, mesmo quando você estiver se sentindo bem, é importante realizar regularmente os exames de sangue e de urina solicitados pelo seu médico.
O lúpus também pode afetar as células do sangue e causar:
Algumas dessas alterações não causam sintomas e são identificadas apenas nos exames de acompanhamento.
O lúpus pode provocar inflamação das membranas que envolvem o pulmão (pleurite) ou o coração (pericardite).
Isso pode causar dor no peito, principalmente ao respirar profundamente, falta de ar ou palpitações.
Em algumas pessoas, o lúpus pode afetar o sistema nervoso. Podem ocorrer alterações de memória ou concentração, dores de cabeça e, mais raramente, manifestações importantes como convulsões ou alterações do comportamento.
Algumas pessoas apresentam o fenômeno de Raynaud, no qual os dedos das mãos ou dos pés ficam muito pálidos, arroxeados ou avermelhados, principalmente quando expostos ao frio.
O lúpus também pode estar associado à síndrome antifosfolípide, uma condição que aumenta o risco de formação de coágulos (tromboses) e pode estar relacionada a complicações durante a gestação.
Vá imediatamente a um pronto-socorro ou acione o SAMU (192) se apresentar:
Nem todas as pessoas com lúpus terão todos esses sintomas. Cada paciente apresenta uma combinação diferente de manifestações, e elas podem mudar ao longo da vida.
O acompanhamento regular permite identificar alterações precocemente e ajustar o tratamento para manter o lúpus sob controle.
O diagnóstico do lúpus pode parecer um verdadeiro quebra-cabeça. Isso acontece porque não existe um único exame capaz de dizer sozinho: “você tem lúpus”.
Não existe um único exame que confirme o lúpus. O diagnóstico é feito pelo reumatologista unindo os sintomas, o exame físico e os resultados dos exames de sangue e urina.
Esses exames ajudam a identificar alterações que o lúpus pode causar no organismo, principalmente no sangue e nos rins, mesmo quando ainda não existem sintomas.
O FAN é um dos principais exames utilizados na investigação. A grande maioria das pessoas com lúpus apresenta FAN positivo.
FAN positivo não significa que você tem lúpus!
Pessoas saudáveis também podem ter FAN positivo. Por isso, esse resultado nunca deve ser analisado sozinho.
Dependendo dos sintomas, o médico pode solicitar:
O diagnóstico do lúpus não é feito apenas por exames. Cada pessoa pode apresentar a doença de uma maneira diferente.
Por isso, se você tem sintomas ou recebeu um FAN positivo, não precisa se assustar. Procure um reumatologista para avaliar o conjunto das informações e entender se existe ou não uma doença autoimune.
O tratamento do lúpus é individualizado. Isso significa que não existe uma única receita que funcione para todos.
A escolha dos medicamentos depende dos sintomas, dos órgãos afetados e da intensidade da doença. O objetivo é controlar a inflamação, prevenir novas crises e evitar danos aos órgãos, permitindo que a pessoa tenha uma vida ativa e com qualidade.
É considerada uma das pedras angulares do tratamento do lúpus e é recomendada para a maioria dos pacientes, quando não há contraindicação. Além de ajudar a controlar a doença e prevenir novas crises, seu uso está associado a menor risco de trombose e pode contribuir para melhorar o colesterol e o controle da glicose. O uso regular também está associado a melhores resultados a longo prazo para pessoas com lúpus.
Podem ser necessários principalmente durante períodos de maior atividade da doença. Sempre que possível, são utilizados na menor dose e pelo menor tempo necessário, pois o uso prolongado pode causar efeitos colaterais.
Medicamentos como metotrexato, azatioprina, micofenolato, ciclofosfamida, tacrolimo e ciclosporina ajudam a controlar a atividade exagerada do sistema imunológico e podem ser utilizados quando o lúpus está mais ativo ou compromete órgãos importantes.
A escolha do medicamento depende das manifestações da doença. Nos pacientes com nefrite lúpica (comprometimento dos rins pelo lúpus), por exemplo, medicamentos como micofenolato, ciclofosfamida, tacrolimo ou ciclosporina podem fazer parte do tratamento, muitas vezes em combinação com outras medicações.
Como esses medicamentos interferem no funcionamento do sistema imunológico, seu uso deve ser acompanhado pelo médico, com consultas e exames periódicos para avaliar a resposta ao tratamento e sua segurança.
Os medicamentos biológicos são tratamentos que agem de forma mais direcionada em partes do sistema imunológico envolvidas no lúpus. Eles podem ser indicados quando a doença continua ativa apesar do tratamento habitual ou quando existem determinadas manifestações da doença.
A escolha do medicamento depende de como o lúpus se manifesta em cada pessoa, dos tratamentos já utilizados e da avaliação do reumatologista.
O belimumabe é um medicamento biológico que atua sobre células do sistema imunológico envolvidas na produção de anticorpos.
Pode ser utilizado em pacientes com lúpus ativo e também em determinados casos de nefrite lúpica.
Pode ser administrado pela veia ou por aplicação subcutânea.
O anifrolumabe é um medicamento biológico que bloqueia uma importante via de inflamação do lúpus, chamada via do interferon.
Pode ser uma opção para pacientes que continuam com a doença ativa apesar do tratamento habitual, especialmente quando existem manifestações importantes na pele e nas articulações.
É administrado por infusão na veia.
O rituximabe é um medicamento biológico que atua sobre os linfócitos B, células que participam da produção de anticorpos.
Pode ser utilizado pelo reumatologista principalmente em casos graves, de difícil controle ou que não responderam adequadamente a outros tratamentos.
É administrado por infusão na veia.
Você não precisa utilizar todos esses medicamentos. Algumas pessoas conseguem manter o lúpus controlado apenas com hidroxicloroquina, enquanto outras precisam combinar diferentes tratamentos.
O reumatologista irá escolher a melhor estratégia de acordo com o tipo de manifestação, a intensidade da doença e as características de cada paciente.
Nunca compare seu tratamento com o de outra pessoa com lúpus e não suspenda seus medicamentos por conta própria. No lúpus, o melhor tratamento é aquele escolhido de forma individualizada para você.
Os medicamentos são importantes, mas cuidar do lúpus também envolve hábitos do dia a dia. Algumas atitudes ajudam a manter a doença controlada, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida.
A exposição à radiação ultravioleta pode piorar as lesões de pele e desencadear atividade do lúpus em algumas pessoas.
Por isso:
Passe uma camada generosa e uniforme em toda a pele que ficará exposta.
Não economize na quantidade: usar pouco protetor diminui a proteção indicada na embalagem.
Além do protetor solar, as roupas com proteção UV são grandes aliadas de quem tem lúpus, principalmente para pessoas que apresentam sensibilidade ao sol.
Essas roupas possuem tecidos desenvolvidos para reduzir a passagem da radiação ultravioleta até a pele.
Na hora de escolher, procure peças com FPU 50+ (Fator de Proteção Ultravioleta), que oferecem alta proteção contra a radiação solar.
Alguns cuidados simples podem ajudar:
As roupas com proteção UV são especialmente úteis em praias, piscinas, caminhadas, atividades físicas ao ar livre, viagens e períodos prolongados de exposição ao sol.
Ter lúpus não significa viver com medo do sol, mas exige proteção e cuidados diários. O importante é aprender a se proteger. A combinação de protetor solar + roupas adequadas + sombra torna a exposição do dia a dia muito mais segura.
Não existe uma “dieta que cure o lúpus”.
O ideal é manter uma alimentação variada, com frutas, verduras, legumes, proteínas e alimentos pouco processados, evitando excesso de açúcar, sal e alimentos ultraprocessados.
Uma alimentação saudável também ajuda a prevenir problemas como pressão alta, diabetes, colesterol elevado, obesidade e doenças cardiovasculares.
O cigarro aumenta o risco de doenças cardiovasculares e pode prejudicar o controle do lúpus e a resposta a alguns tratamentos.
Parar de fumar é uma das melhores decisões que você pode tomar para sua saúde.
Fadiga, alterações do sono, ansiedade e mudanças de humor podem fazer parte da rotina de algumas pessoas com lúpus.
Manter horários regulares de sono, reservar momentos de descanso e buscar apoio psicológico quando necessário também fazem parte do cuidado.
Cuidar da saúde emocional é cuidar do lúpus.
Pessoas com lúpus podem apresentar maior risco de doenças cardiovasculares ao longo da vida.
Por isso, é importante acompanhar pressão arterial, colesterol, glicemia e peso, além de manter atividade física e não fumar.
O lúpus e, principalmente, o uso prolongado de corticoides podem aumentar o risco de perda de massa óssea.
Atividade física, alimentação adequada e avaliação periódica da saúde dos ossos ajudam na prevenção. Cálcio e vitamina D não devem ser utilizados por conta própria e precisam ser avaliados individualmente.
Ter lúpus não significa deixar de se movimentar. A atividade física, respeitando seu ritmo e seus limites, ajuda a fortalecer músculos e ossos, cuidar do coração, reduzir o cansaço e melhorar o bem-estar.
Caminhada, musculação leve a moderada, bicicleta, natação, hidroginástica, pilates e alongamentos são boas opções para muitas pessoas com lúpus.
Comece aos poucos e escolha uma atividade que você goste. Nos períodos em que a doença estiver mais ativa, pode ser necessário reduzir ou adaptar os exercícios com orientação da sua equipe de saúde.
Mesmo quando o lúpus está controlado e você não apresenta sintomas, as consultas e os exames continuam importantes.
Algumas alterações, principalmente nos rins, podem começar silenciosamente e ser identificadas apenas nos exames.
Viver com lúpus não significa deixar de fazer as coisas que você gosta.
Conhecer sua doença, usar corretamente os medicamentos, manter hábitos saudáveis e realizar acompanhamento regular são partes do mesmo tratamento.
O objetivo é que você tenha cada vez mais períodos com a doença controlada e possa manter uma vida ativa, saudável e com qualidade.
Quem tem lúpus precisa ter um cuidado especial com a vacinação. A própria doença e alguns medicamentos utilizados no tratamento podem diminuir as defesas do organismo e aumentar o risco de algumas infecções.
Por isso, manter as vacinas em dia é uma parte importante do tratamento do lúpus.
O ideal é revisar sua carteira de vacinação logo após o diagnóstico e, sempre que possível, antes de iniciar medicamentos que diminuem a imunidade.
Mas quem já está em tratamento também pode e deve ter sua situação vacinal avaliada.
Leve sua carteira de vacinação às consultas e pergunte ao seu médico se existe alguma vacina que precisa ser atualizada.
A indicação depende da idade, dos medicamentos utilizados, das doenças associadas e do histórico de vacinação de cada pessoa.
Entre as vacinas que podem fazer parte da proteção do paciente com lúpus estão:
O esquema pode ser diferente daquele utilizado pela população geral. Por isso, não existe uma lista única de vacinas que sirva para todas as pessoas com lúpus.
Algumas vacinas contêm microrganismos vivos atenuados, como febre amarela, tríplice viral, varicela e outras.
Essas vacinas podem ser contraindicadas durante determinados tratamentos que diminuem a imunidade.
Por isso, se você utiliza corticoide em doses elevadas, imunossupressores ou medicamentos biológicos, não receba uma vacina de vírus vivo sem conversar antes com sua equipe de saúde.
Isso não significa que todas as pessoas com lúpus estão proibidas de receber essas vacinas. A decisão depende do medicamento utilizado, do grau de imunossupressão e do risco de exposição à doença.
O CRIE – Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais – é um serviço do SUS especializado na vacinação de pessoas que apresentam condições de saúde que podem exigir vacinas ou esquemas diferentes dos utilizados na população geral.
Pessoas com doenças autoimunes e pacientes que utilizam determinados medicamentos imunossupressores podem ter indicação de avaliação pela rede de imunobiológicos especiais.
Pacientes com lúpus, principalmente aqueles que utilizam medicamentos que diminuem a imunidade, podem ter indicação de vacinas disponibilizadas por essa rede.
O caminho mais simples é procurar uma sala de vacinação de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) levando:
A equipe da UBS avalia a situação vacinal e, quando necessário, encaminha a solicitação para avaliação do CRIE Virtual.
No Distrito Federal, muitos pacientes não precisam se deslocar até o CRIE presencial.
A solicitação pode ser analisada de forma remota pela equipe especializada do CRIE. Após a autorização, determinadas vacinas especiais podem ser aplicadas na própria rede de vacinação da região de referência do paciente.
Isso facilita o acesso e evita deslocamentos desnecessários.
Algumas situações de maior complexidade precisam ser avaliadas presencialmente, como pacientes com:
Nessas situações, o atendimento é realizado no CRIE localizado no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), que possui estrutura preparada para vacinação e acompanhamento de pacientes com condições especiais.
O atendimento presencial é feito preferencialmente com agendamento por telefone. Pacientes que comparecem sem horário marcado podem ser atendidos conforme a disponibilidade do serviço.
Na próxima consulta, peça ao seu médico para revisar sua carteira de vacinação.
Se houver indicação de alguma vacina especial, solicite um relatório informando o diagnóstico, os medicamentos em uso e a indicação da vacinação. Depois, procure a sala de vacinação da UBS para receber as orientações sobre o acesso pelo CRIE Virtual ou, quando necessário, pelo CRIE presencial.
Ter lúpus não significa que todas as vacinas do CRIE serão automaticamente indicadas. A recomendação depende da idade, dos medicamentos utilizados, do grau de imunossupressão e do histórico de vacinação de cada pessoa.
Vacinação também faz parte do tratamento e da prevenção de complicações do lúpus.
Sempre que possível, planeje sua vacinação junto com o reumatologista, principalmente antes de iniciar ou trocar um medicamento imunossupressor.
Alguns tratamentos, como o rituximabe, podem diminuir temporariamente a resposta do organismo às vacinas. Nesses casos, escolher o melhor momento para vacinar pode aumentar a proteção.
Não deixe de se vacinar simplesmente porque tem lúpus.
Na maioria das situações, a vacinação é uma importante ferramenta de proteção. O cuidado especial está em escolher a vacina adequada e o melhor momento para recebê-la, de acordo com a atividade da doença e os medicamentos utilizados.
Leve sua carteira de vacinação para a próxima consulta. Vacinação também faz parte do cuidado com o lúpus!
Ter lúpus não significa que você não possa engravidar, ter uma gestação saudável ou amamentar. A maioria das mulheres com a doença bem controlada pode ter uma gravidez bem-sucedida.
O segredo é uma palavra: planejamento.
O ideal é engravidar quando o lúpus estiver controlado, pois iniciar a gestação com a doença ativa aumenta o risco de piora do lúpus durante a gravidez e de complicações para a mãe e o bebê.
Alguns medicamentos usados no tratamento do lúpus não podem ser utilizados durante a gestação, e alguns tratamentos, especialmente a ciclofosfamida, podem reduzir a fertilidade. Por isso, converse com seu reumatologista antes de tentar engravidar para ajustar os medicamentos e, quando necessário, discutir formas de preservar a fertilidade.
Mulheres com síndrome antifosfolípide (SAF) precisam de atenção especial, pois apresentam maior risco de trombose, perdas gestacionais e outras complicações da gravidez. Com planejamento, tratamento adequado e acompanhamento conjunto do reumatologista e do obstetra de alto risco, esses riscos podem ser reduzidos.
Converse com seu reumatologista antes de tentar engravidar.
O melhor momento para uma gestação é quando o lúpus está controlado por pelo menos 6 meses, especialmente quando existe histórico de comprometimento dos rins.
Planejar permite avaliar a atividade da doença, realizar os exames necessários e, principalmente, ajustar os medicamentos antes da gravidez.
Alguns medicamentos usados no tratamento do lúpus podem ser mantidos durante a gestação, enquanto outros precisam ser suspensos ou substituídos antes de engravidar.
Medicamentos como micofenolato, metotrexato e ciclofosfamida não devem ser usados durante a gestação, pois podem causar problemas para o desenvolvimento do bebê.
Por isso, se você deseja engravidar, converse com seu reumatologista antes de parar o anticoncepcional ou começar as tentativas. O tratamento pode ser ajustado para opções mais seguras, mantendo o lúpus controlado.
Não suspenda seus medicamentos sozinha ao descobrir uma gravidez. A interrupção inadequada do tratamento pode provocar uma crise do lúpus e trazer riscos para a mãe e para o bebê.
Na maioria das pacientes, a hidroxicloroquina deve ser mantida durante a gravidez.
Além de ajudar a manter o lúpus controlado, sua manutenção reduz o risco de crises durante a gestação.
Sim. A gestação é geralmente acompanhada de forma conjunta pelo reumatologista e pelo obstetra, frequentemente com pré-natal de alto risco.
Algumas pacientes precisam de atenção especial, principalmente aquelas com histórico de nefrite lúpica, pressão alta, trombose ou síndrome antifosfolípide.
Mulheres com anticorpos anti-Ro/SSA ou anti-La/SSB também recebem acompanhamento específico durante a gestação, pois esses anticorpos podem, raramente, afetar o bebê.
Na maioria das vezes, sim!
Ter lúpus, por si só, não impede a amamentação. Muitos dos medicamentos utilizados para controlar a doença são compatíveis com o aleitamento.
Outros medicamentos, porém, podem precisar ser evitados ou substituídos.
Por isso, o tratamento deve ser planejado também para o período após o parto.
Não suspenda um medicamento por conta própria para conseguir amamentar. Converse com sua equipe para encontrar uma opção segura para você e para o bebê.
Mulheres com lúpus podem utilizar métodos contraceptivos, mas a escolha deve ser individualizada.
Preservativos, DIU de cobre, DIU hormonal, implantes e anticoncepcionais hormonais podem ser opções, dependendo de cada situação.
Um cuidado especial é necessário para anticoncepcionais que contêm estrogênio.
Eles podem não ser indicados para mulheres com anticorpos antifosfolípides positivos, síndrome antifosfolípide ou histórico de trombose, pois podem aumentar ainda mais o risco de formação de coágulos. Também devem ser avaliados com cautela em pacientes com formas graves de lúpus ou com a doença em atividade, sendo fundamental discutir individualmente a opção mais segura com o médico responsável.
Por isso, converse com seu reumatologista e seu ginecologista para escolher o método mais adequado.
Medicamentos utilizados no tratamento do lúpus podem ser incompatíveis com a gravidez e precisam ser suspensos ou substituídos antes da tentativa de engravidar.
Por isso, se você utiliza imunossupressores ou medicamentos biológicos, avise sua equipe quando começar a pensar em uma gestação.
Lúpus não é sinônimo de infertilidade e não significa abrir mão da maternidade.
Com a doença controlada, medicamentos adequados e acompanhamento conjunto entre Reumatologia e Obstetrícia, muitas mulheres com lúpus podem engravidar, ter filhos saudáveis e amamentar com segurança.
Se você pensa em engravidar, conte ao seu reumatologista. Planejar a gestação também faz parte do tratamento do lúpus.
Sim. Ter lúpus não significa abrir mão do sonho de ser pai. Na maioria dos casos, homens com lúpus podem ter filhos normalmente.
Assim como acontece com as mulheres, a paternidade também merece planejamento. Se você pensa em ter filhos, converse com seu reumatologista para avaliar seus medicamentos e organizar esse momento com segurança.
Alguns tratamentos, especialmente a ciclofosfamida, podem diminuir a fertilidade. Nesses casos, pode ser indicado congelar o sêmen antes do tratamento, preservando a possibilidade de ter filhos no futuro.
Mulheres com lúpus podem ter uma gestação saudável, mas precisam de acompanhamento mais cuidadoso durante a gravidez.
Dependendo da atividade da doença, dos órgãos envolvidos, dos medicamentos utilizados e da presença de outros fatores de risco, a gestante pode precisar ser acompanhada no Pré-Natal de Alto Risco (PNAR).
Se você descobriu que está grávida, procure sua Unidade Básica de Saúde (UBS) o mais cedo possível, de preferência ainda nos primeiros meses da gestação.
A UBS é a principal porta de entrada para o pré-natal na rede pública do Distrito Federal.
Durante a avaliação, a equipe irá conhecer seu histórico de saúde, solicitar exames e identificar se existe necessidade de acompanhamento especializado.
Quando indicado, a própria equipe de saúde solicita, pelo sistema de regulação do Distrito Federal, o encaminhamento para o Pré-Natal de Alto Risco.
Algumas situações podem aumentar os riscos durante a gestação, como:
Isso não significa que haverá uma complicação. Significa apenas que a mãe e o bebê precisam ser acompanhados mais de perto.
O ideal é que exista uma parceria entre o obstetra do pré-natal de alto risco e o reumatologista.
Dependendo de cada caso, outros profissionais também podem participar do acompanhamento, como especialistas em Medicina Fetal, Nefrologia, Cardiologia ou Hematologia.
Durante a gestação, podem ser necessários exames mais frequentes para acompanhar a atividade do lúpus, a função dos rins, a pressão arterial e o desenvolvimento do bebê.
O local do acompanhamento e a maternidade de referência são definidos pela rede da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, considerando o local de residência, a condição clínica da gestante e a complexidade necessária.
Por isso, você não precisa escolher ou procurar diretamente uma maternidade de alto risco. A equipe da UBS e o sistema de regulação irão orientar o serviço de referência adequado para o seu caso.
Leve para as consultas:
E continue realizando o acompanhamento com seu reumatologista durante toda a gestação.
No Distrito Federal, se você utiliza o SUS, comece procurando sua UBS de referência. A equipe irá organizar o pré-natal e, quando necessário, encaminhá-la para o acompanhamento de alto risco.
Se você tem sintomas que podem indicar uma doença reumática ou recebeu o diagnóstico de lúpus e precisa de acompanhamento especializado, o SUS do Distrito Federal oferece atendimento com reumatologista.
O primeiro passo é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência da sua residência.
Na UBS, você será avaliado pela equipe de saúde. Quando houver indicação de acompanhamento com a Reumatologia, o profissional fará o encaminhamento para a consulta especializada.
Você não precisa procurar diretamente um hospital ou uma Policlínica para tentar marcar a primeira consulta.
Depois do encaminhamento, a própria equipe da UBS insere a solicitação no sistema de regulação da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.
A regulação avalia a solicitação e a prioridade clínica do paciente.
Quando a consulta for disponibilizada, o paciente será informado sobre:
Por isso, é muito importante manter telefone e dados pessoais atualizados no cadastro do SUS.
As solicitações de consultas especializadas passam por classificação de risco e critérios clínicos.
Isso significa que a ordem de atendimento não depende apenas da data em que o pedido foi realizado. Situações consideradas mais graves ou urgentes podem receber maior prioridade.
Por isso, é importante contar ao profissional da UBS todos os sintomas e apresentar os exames e relatórios médicos que você já possui.
No dia da consulta com o reumatologista, procure levar:
Se você já recebeu diagnóstico de lúpus em outro serviço, leve os documentos que comprovem seu histórico e os tratamentos já realizados.
A Reumatologia faz parte da Atenção Especializada do SUS-DF.
O atendimento pode ocorrer em Policlínicas e outros serviços especializados da rede, conforme a região de saúde, a necessidade do paciente e a organização da regulação.
O paciente será informado sobre o local no momento do agendamento.
A Secretaria de Saúde possui o Busca Saúde UBS.
Aponte a câmera do celular para o QR Code e consulte a unidade responsável pelo seu endereço. Basta informar seu endereço ou CEP para descobrir qual Unidade Básica de Saúde é responsável pela sua região.
Se surgirem sintomas novos ou houver piora importante, não espere simplesmente pela consulta com o especialista.
Retorne à UBS para uma nova avaliação. A equipe poderá reavaliar sua condição e a prioridade do encaminhamento.
Em situações de urgência ou emergência, procure o serviço de atendimento adequado.
Para conseguir atendimento com o reumatologista pelo SUS no Distrito Federal, o caminho geralmente é:
Não deixe de procurar atendimento por não saber diretamente onde existe um reumatologista. Comece pela sua UBS. A equipe irá orientar o caminho dentro da rede.
A Farmácia de Alto Custo, também chamada de Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF), é um serviço do SUS que fornece gratuitamente medicamentos utilizados no tratamento de diversas doenças crônicas e condições que necessitam de tratamentos especializados.
Alguns medicamentos utilizados no tratamento das doenças reumatológicas podem ser disponibilizados por esse serviço.
O medicamento ser caro não é o único critério para recebê-lo. Cada medicamento possui regras específicas estabelecidas pelo Ministério da Saúde ou pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal.
Para receber um medicamento pela Farmácia de Alto Custo, é necessário que o paciente apresente os critérios estabelecidos para aquela doença e para aquele tratamento.
Esses critérios podem incluir diagnóstico, tratamentos já realizados, exames laboratoriais e outras informações clínicas.
Pacientes acompanhados tanto na rede pública quanto na rede privada podem solicitar medicamentos, desde que preencham os critérios exigidos.
Os documentos podem variar de acordo com o medicamento solicitado, mas geralmente são necessários:
Seu médico deve verificar quais exames e documentos específicos são necessários para o medicamento solicitado.
Para quem mora no Distrito Federal, o primeiro cadastro pode ser agendado pelo Disque Saúde 160 – opção 3. Quem mora no Entorno pode utilizar o telefone 0800 644 0160.
O atendimento será direcionado para uma das unidades da Farmácia de Alto Custo de acordo com o endereço do paciente. No Distrito Federal, existem unidades de referência na Asa Sul, Ceilândia e Gama.
Alguns serviços também podem ser acessados pela CEAF Digital, facilitando o acompanhamento e o acesso aos medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica.
Para facilitar, disponibilizamos abaixo um QR Code para acesso rápido à plataforma e às orientações da CEAF Digital.
Aponte a câmera do seu celular para o QR Code e acesse.
Tenha em mãos seus documentos pessoais, Cartão Nacional de Saúde (CNS), receita médica e os documentos e exames solicitados para o medicamento.
O Distrito Federal possui três unidades do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF), conhecido como Farmácia de Alto Custo.
| Unidade | Endereço | Telefone | |
|---|---|---|---|
| Asa Sul | Estação 102 Sul do Metrô, Subsolo – Ala Comercial, Asa Sul | (61) 3449-4272 | (61) 99358-0060 |
| Ceilândia | EQNM 18/20, Blocos A e C – Praça do Cidadão, Ceilândia | (61) 3449-4276 | (61) 99166-4579 |
| Gama | Praça 1, s/n – Setor Leste, Gama | (61) 3449-4280 | (61) 99124-1043 |
A distribuição de senhas ocorre até 18h durante a semana e até 11h aos sábados, podendo ser encerrada antes conforme a capacidade de atendimento da unidade.
O primeiro cadastro e alguns atendimentos farmacêuticos necessitam de agendamento. A unidade responsável pelo paciente depende da sua região de residência.
Depois do cadastro, a documentação passa por uma avaliação técnica da Secretaria de Saúde.
A equipe verifica se o paciente apresenta os critérios necessários para receber aquele medicamento.
Se estiver tudo correto e a solicitação for autorizada, o paciente será informado sobre a liberação e orientado sobre a retirada.
Se estiver faltando algum documento ou exame, a equipe poderá solicitar a complementação das informações.
Sim. O acompanhamento não termina quando o medicamento é liberado.
O processo precisa ser renovado periodicamente para que o tratamento continue sendo fornecido. No DF, a renovação do processo ocorre, em regra, a cada seis meses, com apresentação de nova documentação, em geral atualização da LME e receita atualizada.
Por isso, não deixe a renovação para a última hora.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal disponibiliza uma consulta on-line do estoque das Farmácias de Alto Custo.
Aponte a câmera do celular para o QR Code e consulte o estoque. Antes de se deslocar até a unidade, vale consultar se o medicamento está disponível.
info.saude.df.gov.br/
O Distrito Federal também possui serviço de entrega domiciliar de medicamentos da Farmácia de Alto Custo para pacientes cadastrados.
Após a liberação do tratamento, pergunte à equipe da farmácia se o seu medicamento pode ser incluído nessa modalidade.
Uma negativa não significa necessariamente que você não tenha direito ao tratamento.
Primeiro, procure saber o motivo: pode estar faltando um exame, documento, relatório ou algum dos critérios exigidos pelo protocolo.
Converse com seu reumatologista para avaliar a situação e verificar se é possível complementar a documentação ou solicitar uma alternativa de tratamento disponível pelo SUS.
Guarde seus relatórios, receitas e exames e fique atento às datas de renovação.
Se tiver dificuldade para entender o processo, peça ajuda à equipe de saúde ou ao farmacêutico da unidade.
O acesso correto aos medicamentos e a continuidade do tratamento são partes fundamentais do cuidado com o lúpus.
Receber o diagnóstico de lúpus pode trazer muitas dúvidas. Além de conhecer a doença e o tratamento, é importante saber que toda pessoa tem direitos quando utiliza os serviços de saúde, seja no SUS ou na rede privada.
Ter lúpus também envolve responsabilidades: cuidar da própria saúde e participar ativamente do tratamento fazem diferença no controle da doença.
A pessoa com lúpus tem direito a:
O Distrito Federal possui Passe Livre para pessoas que preencham os critérios estabelecidos pela legislação, incluindo situações relacionadas a deficiência e determinadas patologias crônicas em tratamento continuado.
Ter diagnóstico de lúpus, isoladamente, não significa receber automaticamente o Passe Livre.
É necessário verificar os critérios vigentes e realizar a avaliação e o cadastro exigidos pelo Governo do Distrito Federal.
Não automaticamente.
Algumas pessoas apresentam complicações ou limitações importantes causadas pela doença e podem, dependendo do caso, preencher os critérios legais para reconhecimento como pessoa com deficiência.
Essa avaliação considera o impacto e as limitações provocadas pela condição, e não apenas o nome do diagnóstico.
Ter lúpus também não significa receber automaticamente aposentadoria ou benefício por incapacidade.
Quando a doença impede temporária ou permanentemente o exercício do trabalho, o paciente pode solicitar avaliação pelo INSS para verificar se preenche os requisitos para algum benefício previdenciário.
Cada situação é analisada individualmente.
O paciente também é parte fundamental do tratamento.
Procure:
Uma dica é manter uma pasta física ou digital com:
Isso pode facilitar muito o acompanhamento e o acesso aos serviços de saúde.
Está com dificuldade para conseguir uma consulta, exame, medicamento ou tratamento pelo SUS? Você não precisa ficar sem orientação. No Distrito Federal existem canais gratuitos para registrar o problema e, quando necessário, buscar ajuda para garantir o acesso à saúde.
Procure inicialmente a UBS, hospital, ambulatório, farmácia ou serviço responsável pelo seu atendimento.
Pergunte o motivo da dificuldade e, quando houver uma negativa, solicite que ela seja registrada ou fornecida por escrito, sempre que possível.
Guarde protocolos, receitas, relatórios médicos, exames e documentos relacionados ao pedido.
O Disque Saúde 160 é um canal da Secretaria de Saúde do Distrito Federal para informações e orientações sobre os serviços de saúde.
Ele pode ajudar, por exemplo, com informações relacionadas à rede pública e a serviços como a Farmácia de Alto Custo.
Telefone: 160
Se você não conseguiu resolver o problema diretamente com o serviço, pode registrar uma manifestação na Ouvidoria do Governo do Distrito Federal.
É possível registrar reclamações, denúncias, solicitações, sugestões e outras manifestações.
Telefone: 162 – ligação gratuita
Também é possível registrar e acompanhar sua manifestação pela internet no Participa DF.
Guarde o número do protocolo. Ele é importante para acompanhar a resposta e também pode ajudar caso seja necessário procurar outros órgãos posteriormente.
Se o problema não for resolvido administrativamente e envolver a necessidade de garantir acesso a medicamento, exame, consulta, cirurgia, internação ou outro tratamento, você pode procurar a Defensoria Pública do Distrito Federal – DPDF.
A Defensoria presta assistência jurídica gratuita às pessoas que preencham os critérios para atendimento e possui o Núcleo de Assistência Jurídica de Defesa da Saúde.
Também existe atendimento inicial pelo WhatsApp oficial.
Antes de procurar atendimento, organize seus documentos. Leve, sempre que possível:
Quanto mais completo estiver o relatório médico, mais fácil será compreender qual tratamento é necessário, por que ele foi indicado e quais podem ser as consequências da demora ou da falta do tratamento.
Sim.
Associações de pacientes também podem ajudar com acolhimento, informação e orientação sobre os caminhos disponíveis, mas é importante verificar quais serviços jurídicos cada organização efetivamente oferece.
Antes de buscar ajuda, faça uma pequena pasta com:
Não jogue fora documentos de negativas e anote datas, locais de atendimento e números de protocolo.
Essas informações podem ser muito importantes para demonstrar o que já foi solicitado e quais dificuldades você encontrou.
Receber o diagnóstico de lúpus pode trazer dúvidas que vão muito além do tratamento médico. Dificuldades para conseguir medicamentos, dúvidas sobre direitos, impacto emocional da doença e até dificuldades financeiras podem fazer parte da realidade de algumas famílias.

A ANPLúpus – Associação Nacional das Pessoas com Lúpus de Integração Social e Desenvolvimento Humano – é uma associação com sede em Brasília que trabalha para acolher, informar, orientar e fortalecer pessoas que vivem com lúpus e seus familiares.
A associação oferece e organiza diferentes formas de apoio aos pacientes, entre elas:
Uma das funções da associação é ajudar o paciente a entender seus direitos e encontrar os caminhos adequados.
A ANPLúpus conta com uma rede de profissionais voluntários, incluindo advogados, que pode orientar os pacientes de acordo com cada situação.
Se você recebeu uma negativa de medicamento, exame ou tratamento, guarde o documento da negativa, além do relatório médico, receita, exames e protocolos de atendimento.
Esses documentos podem ser importantes para receber uma orientação adequada.
Conviver com uma doença crônica pode afetar diferentes aspectos da vida.
Medo, insegurança, dificuldades familiares e mudanças provocadas pela doença podem gerar sofrimento emocional.
Por isso, a ANPLúpus também promove acolhimento emocional e encaminhamento para profissionais voluntários, incluindo psicólogos, além dos grupos de apoio e espaços de troca entre pacientes.
Pedir ajuda também faz parte do tratamento.
A associação também desenvolve ações sociais de apoio a pacientes em situação de vulnerabilidade, que podem incluir a distribuição de cestas básicas.
Esses benefícios dependem dos critérios, campanhas, recursos e disponibilidade da associação. Por isso, o paciente deve entrar em contato diretamente com a ANPLúpus para saber quais ações estão disponíveis naquele momento.
Conversar com outras pessoas que vivem situações semelhantes pode ajudar a:
O grupo de pacientes não substitui o acompanhamento médico, mas pode ser um importante complemento para quem vive com uma doença crônica.
Aponte a câmera do celular para o QR Code e acompanhe as ações, campanhas e encontros da associação.
Entre em contato com a associação para saber como participar dos grupos e quais atendimentos, projetos e ações sociais estão disponíveis.
Conviver com uma doença crônica não envolve apenas consultas e medicamentos. Muitas vezes surgem dúvidas sobre direitos, acesso aos serviços de saúde, benefícios, inclusão social e onde procurar ajuda.

No Distrito Federal, uma das instituições que atua nesse acolhimento é a AMAVI Raras – Associação MariaVitoria de Doenças Raras e Crônicas.
A AMAVI é uma instituição sem fins lucrativos, criada em Brasília, que atua no acolhimento e na orientação de pacientes e familiares de pessoas com doenças raras e crônicas.
Seu trabalho busca aproximar pacientes, famílias, profissionais de saúde, poder público e sociedade, além de contribuir para a discussão e defesa dos direitos dessas pessoas.
Entre as principais atividades desenvolvidas pela associação estão:
A AMAVI pode ser uma importante fonte de acolhimento e orientação sobre direitos e sobre os caminhos disponíveis.
Se você está enfrentando dificuldade para conseguir um medicamento, exame ou tratamento, a associação pode ajudar a compreender quais serviços e instituições podem ser procurados.
Sim. A AMAVI disponibiliza cadastro para pacientes.
Ao se cadastrar, o paciente pode receber a carteirinha de paciente da associação e acompanhar informações sobre políticas, projetos e eventos relacionados à comunidade atendida.
A sede funciona no Espaço Mundo Raro, na Asa Sul, em Brasília.
Os dias e horários de atendimento podem sofrer alterações. Antes de comparecer, entre em contato com a associação ou consulte o site oficial.
No site da AMAVI Raras você encontra informações sobre a associação, projetos, eventos e o cadastro de pacientes.
Aponte a câmera do celular para o QR Code e acesse o site.
Aponte a câmera do celular para o QR Code e acompanhe os projetos, eventos e campanhas da associação.
Conhecer associações e redes de apoio pode ajudar o paciente e sua família a compreender melhor seus direitos, encontrar orientação e perceber que não precisam enfrentar sozinhos todas as dificuldades relacionadas à doença.
A palavra “lúpus” vem do latim e significa “lobo”. O nome surgiu na Idade Média, quando os médicos comparavam as lesões da pele às marcas deixadas pela mordida de um lobo.
No século XIX, a medicina passou a descrever com mais precisão a manifestação mais conhecida da doença: uma vermelhidão que atravessa as bochechas e o nariz, desenhando no rosto o formato de uma borboleta de asas abertas. Até hoje ela é chamada de “asa de borboleta” (ou eritema malar).
Com o tempo, a borboleta deixou de ser apenas o nome de um sintoma e virou o símbolo mundial da luta contra o lúpus, ao lado da cor roxa, que marca o Maio Roxo e o Dia Mundial do Lúpus, celebrado em 10 de maio.
Eu escolhi a borboleta para esta cartilha por dois motivos. O primeiro é o óbvio: é o sinal que aprendemos a reconhecer no rosto de tantas pacientes. O segundo é o que importa de verdade.
A borboleta não nasce borboleta. Ela passa por uma transformação que ninguém vê de fora, e sai dela mais leve do que entrou. É assim que eu penso o caminho de quem recebe o diagnóstico de lúpus: um período de mudanças, de aprender a se conhecer de novo, de descobrir limites e também forças que não sabia que tinha.
Que este símbolo, que por tanto tempo marcou a doença, passe a marcar também a sua leveza. O lúpus faz parte da sua história, mas não define quem você é.
“O lúpus faz parte da sua história,
mas não define quem você é.”
